quinta-feira, 19 de março de 2009

Escrever

Todo mundo quer ter um carreira brilhante, sair de casa e ganhar o mundo mesmo sem saber ao certo aonde esta a porta de saída. Estava pensando nessa historia de ser colunista, de cativar sonhos e metas, isso é realmente lindo e poético mas um pouco doloroso, e as vezes até mais do que a beleza ressalta. Quero sim ter uma coluna, mas esse compromisso de ter que entregar os textos mais cômicos e coerentes todas as semanas para sair na revista de domingo acho que, realmente, não é lá muito a minha cara. Vivo em fases sinuosas, que vão de Nada vai mudar isso da Cássia Eller a Beat da beata com a Ana Carolina, passando por Faroeste Cabloco com a Legião e Help! dos Beatles. Essa sanidade de ter que escrever algo sempre engraçado e vivo não se aplica a minha realidade, e acho que a de ninguém que seja um pouco são. Adoro os textos leves e doces que de tão felizes levantam do papel e preenchem o ar dando cor as coisas, mas o preto sempre me atrai, não consigo ser eufórica por um largo período, de tempos em tempos preciso deixar a autocrítica e insegurança ser ativada e se sobrepor, para voltar a realidade. O bom disso é que mais cedo ou mais tarde a bateria acaba, ela se desativa e eu volto as palavras serelepes e as coisas sempre parecem mais leves e vivas.
[Também conhecida como crise do meio da semana e melhorada de sabado e domingo]

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Hora de criar
de fazer as palavras surgirem meio que por uma mágica
de tentar descrever o que sentimos
o que nos falta e o que nos consome

Hora de se agarrar a tinta, pena, grafite e
algumas folhas de papel de pão

Não importa como, aonde ou porque
o que nos move é uma necessidade de explodir,
se expor em terceira pessoa.
Criar historia e sonhos
os dá forma, cor e tom

Hora de não separar o real da utopia
se mostra atingível
contar prosa, verso e quem sabe
uma poesia 'male male' no final

Hora de começar
um livro
um historia
uma vida

Algo que nasce sem querer
e que não aceita mais um ponto final
por já estar cheio de interrogações,
exclamações e virgulas
As frases já não abrem mais espaço para o fim,
ele já não se cabe nem se contem.
Desmaterializou e não se fez necessário...





Relaxa, amanhã é sexta e essas crises todas passam (H)
E não, não me permito abandonar aqui mesmo: 'O meu cansaço não me deixa mais pensar ' (8)


[Marília Asterito]

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