domingo, 20 de setembro de 2009

A simplicidade

Ultimamente tenho me perguntando se não me tornei banal, simplificando muitas as relações, tudo o que sempre acreditei sobre pessoas... Não que as deixe sem seu devido valor, apenas não as super valorizo, vejo mais suas limitações e não espero grandes atos filantrópicos ou de generosidade. Me provo isso com as conclusões que chego, a algum tempo atrás - em uma terra não muito distante - eu tinha uma mania de fazer descobertas e de querer compartilhá-las, tentar passar para os outros a beleza que eu via em coisas simples e as conclusões obvias que todos insistiam em ignorar por comodidade muitas vezes, só que com o tempo vem a noção de que as pessoas realmente não se importam com isso, estão tão presas a sua vidas complexas e cinzas que acham que nada poder mudar-las, nem mesmo se por acaso pararem para notar um pôr-do-sol ou simplesmente fecharem os olhos, limparem a mente e ouvirem o mar, elas nunca tem tempo e muito menos paciência para tal, não veem funcionalidade nisso. Agora, me respondam, como é possível se relacionar com pessoas que não notam a beleza nas coisas mais simples, as olham como um ar de 'isso é tão comum' tiram todo o encanto e entregando a mão da banalidade? Eu valorizo sim as coisas simples não as deixo se tornarem insignificantes, não me deixo e não consigo deixá-las de lado, sei que quando se permite isso a única coisa que se pode ganhar é um dia sem cor. Desejo mais é que tudo seja simples e que não esqueçamos disso nos momentos mais complicados.Até lá, sou mais feliz com quem entende que nem tudo é resultado de grande atos.

E que tudo seja simples. Simples como um sorriso de uma criança ao se deparar com o mar, com suas ondas e sua espuma. Simples como o mar é, forte mas nunca acomodado com seu poder, sempre em busca de algo. Simples como a areia que é feita de milhares de grãos que sós não tem força alguma. Simples como um avião de papel, que com suas linhas puras e ingênuas, tenta se lançar ao ar aproveita seu momento de êxtase e cai sem graça no chão, porém, feliz por saber que tentou e por alguns segundos, os mais breves que fossem, conseguiu, sentiu o ar em suas asas, se sentiu livre, vivo. Sejamos nós assim, como o sorriso de uma criança, como o mar, como a areia e como um pequeno avião de papel, sejamos simples.

A simplicidade é a coisa mais complexa de se alcançar.


Detalhe: não se precisa morar em uma cidade maravilhosa para alcançar tais momentos, pelo contrário, é tão mais interessante achar os oasis no deserto do que seguir o mapa. Quer uma dica? Pra quem mora em Nova Iguaçu, vá ver um pôr-do-sol no viaduto da posse, aproveite enquanto não é consumido por monstros de sei lá quantas rodas. Acreditem, faz a diferença, por sinal, achei o meu programa de hoje.

Se cuidem e vivam.

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